Dizem os mitólogos que os seus chifres de Pã representam os raios do Sol; a vivacidade de sua tez exprime o fulgor do céu; a pele de cabra estrelada que usa sobre o estômago representa as estrelas do firmamento; enfim os seus pés e as suas pernas eriçados de pêlos designam a parte inferior do mundo, - a terra, as árvores e as plantas. Em Roma, foi identificado ora com Fauno, ora com Silvano
O terceiro Centro de festas do Carnaval fixou-se nas cidades de Nice, Roma e Veneza (bailes de máscaras do Renascimento) e passou a irradiar para o mundo inteiro o modelo de Carnaval que ainda hoje identifica a festa, com mascarados, fantasiados e desfiles de carros alegóricos.
Na Roma Antiga, pessoas mascaradas desfilavam em carros puxados por cavalos, com estrutura semelhante a barcos, sobre os quais homens e mulheres nus cantavam e dançavam frenética e obscenamente. Esses carros, chamados carrum novalis, podem ter inspirado o nome da festa (‘adeus à carne’, ou festa da carne). Hoje, os foliões percorrerem as principais avenidas atrás de um carro de som extravasando suas emoções e suas paixões carnais.
O Carnaval de Veneza, na Itália, é diferente em estilo, ritmo e espírito de qualquer outro carnaval. Já em suas raízes é uma celebração de elite, intelectualizada, embora hedonística. As fantasias e as famosas máscaras venezianas inspiram-se na elegância e bom gosto dos trajes dos séculos XVII e XVIII ou nas personagens da Commedia Dell´Arte, em que figuram os nossos conhecidos pierrôs, colombinas e polichinelos.
Commedia dell'arte - Conhecida também como Comédia de Máscaras, a Commedia Dell´Arte era composta por espetáculos teatrais em prosa, muito populares na Itália e em toda a Europa na segunda metade do século XVI até meados do século XVIII. O espetáculo era baseado no improviso dos atores, que seguiam apenas um esquema elaborado pelo autor para cada cena cômica, trágica ou tragicômica. Grandes atores criavam as ações e os diálogos diante do público. Tornaram-se famosas as figuras de Arlequim, do doutor, do capitão Spaventa, de Pulcinella, Pantalone e Colombina, entre outros, com seus tipos físicos regionais, com seus dialetos e temperamentos especiais, vestimentas e máscaras características.
Felipe, o Belo (1478 - 1505) costumava se mascarar no Carnaval. Carlos III, sofreu atentado no Carnaval, fantasiado de urso. O costume do uso de máscara se estendeu de tal maneira que, no século XVIII, em Veneza tornou-se, quase um hábito diário. O exagero chegou a tal ponto, com homens, mulheres e crianças permanentemente mascarados, que estimulou o crime. Os homens normalmente com longas capas e mascarados, ao praticarem um crime, impossibilitavam a polícia identificar os assassinos. Em conseqüência, o uso diário de máscara foi proibido. Os venezianos passaram a se mascarar só durante o carnaval, que, aliás chegava a durar um mês, ou, em festas e jantares, hábito este importado para a França.
No final do século XI, o Carnaval de Veneza aparecia nas crônicas como festejos que chegavam a durar até seis meses. Por essa época chegou-se até a regulamentar o uso das máscaras, que haviam invadido o cotidiano do povo veneziano. São comuns os relatos de abusos praticados atrás das máscaras durante e depois do carnaval de Veneza: desde a mais ingênua tentativa de sedução até o adultério; de pequenos furtos até homicídios. As autoridades proibiram o uso das máscaras no início do século XVII.
Após quase desaparecer no século XIX, o Carnaval de Veneza vem, desde 1980, sendo revivido e encorajado pelas autoridades. Atrai hoje mais de 100 mil pessoas que, apesar do frio e da ameaça das marés altas que freqüentemente inundam a praça de São Marcos, para ali convergem a fim de admirar o luxo das fantasias e das máscaras.
Em Veneza, nas belas mansões e palácios do Gran Canale, organizam-se também luxuosos bailes, regados a champanhe e animados por ruidosas orquestras. A alta sociedade internacional, afastada do burburinho das ruas, comparece aos salões dos hotéis de luxo, decorados a cada ano com temas retirados das óperas de Verdi. Neles dançam-se valsa, tarantela e até mesmo o samba, cada vez mais popular. O povo, por sua vez, concentrado na Praça São Marcos, se diverte de maneira bem mais desinibida.
O Carnaval totalmente Pagão começa oficialmente quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso na Grécia, no século VII a.C. e, termina, dando origem à festividade apóstata, quando a Igreja Católica adota, oficialmente, o carnaval, em 590 d.C. e adquire suas características básicas, na Renascença. Termina no século XVIII, quando um novo modelo de carnaval (pós-moderno) começa a se delinear. O Carnaval moderno foi concebido para que as pessoas pudessem extravasarem (se esbaldarem com comidas, bebidas, festas e orgias) antes que chegasse o momento católico de consagração e jejum light (somente não comer carne, exceto a de peixe) que precede a Páscoa, ou seja, a Quaresma.
Os foliões, regados a bebidas alcoólicas e sexo sem limites enchem ilusoriamente o coração, num ato de total entrega, transe e êxtase, de liberação de todas as tensões reprimidas realizam todas as suas fantasias, desejos e instintos animais e carnais na esperança ilusória de poderem neste curto espaço de tempo ceder sem nenhum temor a Deus, às suas luxurias e concupiscências, afinal, no Carnaval tudo é permitido/liberado, na ignorância de que na quarta-feira de cinzas confessando os seus excessos pecaminosos, através da figuração das cinzas em suas testas, terão os seus pecados perdoados como se Deus tivesse permitido, dado o seu aval para outros deuses serem venerados e adorados nesta celebração.
Por causa do teor ‘carnal’ da festa, ela foi perseguida pela igreja católica durante muito tempo, mas, com o tempo, passou a ser tolerada. Assim, antes de permitir o Carnaval, a Igreja Católica condenava a festa por seu caráter “pecaminoso”. No entanto, as autoridades eclesiásticas da época se viram num beco sem saída. Não era mais possível proibir o Carnaval. Foi então que houve a imposição de cerimônias oficiais sérias para conter a libertinagem. Mas esse tipo de festa batia de frente com a principal característica do Carnaval: o riso, a brincadeira, a libertinagem ...
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